sábado, 1 de dezembro de 2007

O ILUSIONISTA

Narcisismo do espelho: gesto da subjetividade
[...] o mito de Narciso é reconhecido nos seus traços de imagem
refletida no seu momento de contemplação, figura aliás que repete a convenção
tradicional do mito. No entanto, do que já extraímos do Estádio do Espelho:
imagem do eu, outro (ou outro-eu), flagrada jubilosamente, consagra o instante
identificatório da unidade do corpo.
De um lado, temos a alegria de juntar os fragmentos do corpo
passado de angústia e por outro, a projeção futura dessa unidade num ideal
[...] amor à própria imagem, reflexo que durará uma eternidade sígnica.
Essa marca é um acontecimento. Selo que faz um.
Traço unário da identificação primária. Marca do gesto subjetivo.

O ILUSIONISTA

Vivi um encontro
Pensavas que era contigo
Oh! doce e terno ilusionista
Mas as emoções eram tão reais
As sensações perfeitas
Encontrava, pensava eu, com tua alma
Encontrava e encantava-me com tuas palavras
Um encontro arrebatador
Que tirou minha sanidade
Arremessou minha racionalidade
Adoecendo minha integridade

Vivi um encontro
Pensava que era contigo
Que o teu amor despertava
Pensava que era eterno
O meu príncipe sonhado
Resultado da longa espera
Pensava que minha paciência
O atrairia
Pensava que minha aceitação incondicional
O despertaria
Pensava que eras meu, que era única
Pensava que em teu coração eu fazia morada
Pensava e pensava

Agora, diante da verdade revelada
Vejo teus truques de ilusão.
Vejo que as poesias eram teu instrumento de condão
Vejo que usavas as palavras e aceitação
Para profundamente tocar meu coração

Sempre atenta as minhas emoções
Nunca imaginei cair em tão baixa insinuação
De tão rico tornou-se pobre
De tão inteligente tornas-te bobo

Agora, inteira a me recobrar
Devo agradecer o teu despertar.
Pois no profundo do meu ser
Fez-me navegar
E compreendo que tudo o que senti e vivi
Jamais poderia te tocar
Eram apenas minhas emoções a aflorar

Fui eu quem viveu
Fui eu quem amou
Não a ti... não à teus olhos e boca
Amei intensamente, devo confessar
Foi um encontro pleno e perfeito demais para desprezar
Conhecia profundamente
Conhecia absolutamente
Conhecia a essência
Encontro assim, com desconhecido não se dá
Encontro assim, é próprio de um relacionamento íntimo
Encontrei-me sim, não contigo ilusionista amigo
Encontrei-me apenas comigo...
Proporcionaste a mim as emoções
Possibilitaste em mim as sensações
Emoções e sensações profunda demais
Que em mim fazem morada
E ao recordá-las encontrei-me
Com minha própria essência.

E diante de tua ilusão percebi
Que amor assim jamais irá existir
Agora o encanto por ti acabou
A magia cessou
Restou apenas o meu encontro
Que me é eterno.
Foste apenas ator coadjuvante.
Teu papel executaste com louvor
A mim trouxeste - meu eu amor!



Clis 15/09/2007

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